Um desses sinais é o surgimento do Fala Bartender, podcast idealizado por Caio Baller, brasileiro radicado no país desde 2018 e atuante na cena local.
“O projeto surgiu com o objetivo de dar voz aos bartenders e profissionais da indústria de bar. Para mim, é muito relevante mostrar o lado que a maioria das pessoas não conhece: as histórias pessoais dos bartenders, como começaram, o que pensam sobre a indústria e onde querem chegar, além de partilhar dicas para a nova geração.” conta Caio.
Com distribuição em plataformas como YouTube e Spotify, além de presença ativa no Instagram e no perfil pessoal de Baller, o podcast se estrutura a partir de entrevistas com bartenders em atividade. A proposta se distancia de conteúdos técnicos ou demonstrativos e se concentra em trajetórias, decisões de carreira e repertório profissional.
O episódio de estreia, com Mário Oliveira, estabelece esse direcionamento ao explorar sua formação, desenvolvimento no bar e referências ao longo do percurso, incluindo a influência de Derivan Ferreira de Souza. A conversa não se organiza como aula e como relato, permitindo que a experiência do convidado conduza o conteúdo.
O segundo episódio traz a bartender brasileira Thaís Vasconcelos, campeã da Giffard WestCup em Portugal e representou Portugal na final global na França.
O podcast se posiciona como espaço de escuta das histórias dos bares portugueses. Ainda que com poucos episódios publicados, já é possível identificar um padrão: conversas longas, bem desenvolvidas pelo anfitrião e foco nos temas da comunidade de bartenders.
Esse recorte posiciona o Fala Bartender em um campo ainda pouco explorado na produção de conteúdo de coquetelaria em língua portuguesa. Em vez de receitas ou tendências, o projeto se dedica à construção de narrativa profissional, tratando o bartender não apenas como executor técnico.
Ao ser criado por um brasileiro inserido no mercado português, o projeto estabelece uma ponte natural entre dois contextos que compartilham idioma, mas apresentam dinâmicas distintas de desenvolvimento. Essa troca aparece nas referências, nos temas abordados e na própria construção das conversas.
Mais do que um produto finalizado, o podcast se apresenta como um processo em construção, acompanhando a evolução de seus participantes e registrando um momento específico da coquetelaria em Portugal, em que a prática começa a ser não apenas executada, mas também narrada por quem a vive. Mas Caio já olha para o futuro; “Neste momento, o projeto contempla o podcast, vídeos com dicas para bartenders iniciantes e visitas a bares em Portugal. Num futuro próximo, a ideia é expandir para novos formatos.” conclui.

O avanço recente da coquetelaria em Portugal passa não apenas pela abertura de bares ou reconhecimento internacional, mas também por um movimento mais silencioso: o de profissionais que começam a registrar, refletir e organizar a própria narrativa.
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