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O Guarani, um drinque de inspiração brasileiríssima!

Para quem não ficou sabendo, conquistei nesse último mês o bicampeonato nacional do Bols Around The World. Leiam aqui como foi o campeonato! Então resolvi explicar porquê e como tive a idéia de criar “O Guarani”, coquetel campeão do BATW 2013.

Como funcionou comigo em dois anos seguidos, resolvi dividir as idéias desse processo esperando que, no ano que vem, isso possa ajudar alguns de vocês que venham a participar…. Ou então a mim mesmo!

 

07 | RELEITURA DA COQUETELARIA TROPICAL

drinque oguaraniAquela coquetelaria dos anos 70 e 80 que era fantasiosa, com uma feira inteira e com mais creme que mão de massagista, é a nossa história. Bem ou mal foi o que marcou uma cultura regional e deu personalidade à coqueletaria brasileira. Porém os tempos mudaram, o consumo mudou e cada vez menos esses tipos de ingredientes são aceitos, não só em um coquetel, mas na alimentação básica também. O bartender brasileiro, através da abertura econômica e principalmente da internet, conseguiu informações do que acontecia na coquetelaria mundial e começou a seguir os passos, e muitas vezes a se acomodar ao estilo europeu e americano. Nada contra. Porém, com essa informação deveríamos melhorar a coquetelaria tropical e ter algo nosso para os estrangeiros admirarem, e foi esse um dos principais motivos de usar o coco, minimizando a guarnição e simplificando os ingredientes.

 

06 | DEFENDER A BANDEIRA

Não sou patriota doente. Mas a mixogastronomia mundial morre de inveja do brasileiro. Temos os melhores sabores do mundo sempre presentes. Não dá pra pensar em fazer um coquetel para o público estrangeiro sem pensar em sabores frutados. Pelo menos não pra mim. Falar de Brasil e usar coquetéis “frios” (falando de aspecto e não de temperatura), monocromáticos e sem criatividade é negar as origens. Veja bem, pecávamos pelo exagero e hoje podemos reescrever a linha da coquetelaria brasileira sem ter que fazer cópias estrangeiras a todo momento.

 

05 | A ESCOLHA DO NOME

Como disse, não sou um patriota doente, mas respeito muito a cultura indígena. Na atual situação dos nossos mais antigos parentes, achei que seria bacana retratar ao mundo que aqui não tem somente gente que quer consumir mais energia, mas que gasta energia para reverenciá-los. Escolhi essa tribo especificamente por ser uma tribo que ultrapassa as fronteiras do Brasil e acaba sendo uma homenagem a todo nosso continente. Nada mais brasileiro do que exaltar a raiz.

 

04 | A ESCOLHA DA MÚSICA

Eu sou um pouco ignorante quando se trata de música clássica. E nunca que imaginaria que a musiquinha da “Voz do Brasil” fosse a obra brasileira mais respeitada no mundo. O Guarani, ópera criada por Carlos Gomes, ganhou uma mixagem no vídeo com uma versão feita pela belíssima Orquestra Brasileira de Música Jamaicana. Então todo aquele impacto e drama que a obra de Carlos Gomes daria no começo do vídeo se misturaria com alegria e fluidez pelo ska da orquestra. Palmas à minha noiva que insistiu pra eu procurar uma versão diferente da ópera! E você ainda não conhece?! Olha aqui embaixo.

03 | O CAQUI CHOCOLATE

Eu sempre ouvi que caqui era uma fruta ruim. Minha mãe odeia. Logo, em casa jamais tinha e eu, muito burro, nunca fui conhecer a iguaria. Foi aí que, em um campeonato interno de final de um curso de formação, um aluno fez um martini com caqui.

F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O! E aí roubei a ideia de usar a fruta. Roubei e avisei pra ele no dia que provei.

Sempre gostei de usar a ligação chocolate/limão. É uma coisa estranha, mas muito saborosa. A acidez acrescentada tira o entojo que o chocolate traz e faz você querer mais.  O mix da doçura sutil do caqui chocolate com a potência do chocolate e a do limão para lados opostos equilibraria meu drink, completado pelas notas amadeiradas e de frutas secas da baunilha na cachaça e do lado interno do coco seco.

 

02 | O COCO

Além de querer mostrar que aqueles coquetéis bregas dentro de frutas que víamos antigamente poderia se moldar às tendências de reutilização de bens de consumo, o coco poderia muito bem se apresentar como uma cuia indígena.

Talvez o que seria o melhor símbolo da homenagem aos nossos ancestrais.

01 | DICAS PARA O  BATW 2014

Eu não consegui a vaga para o mundial, mas pra mim, ficar à frente de profissionais como Paulo Freitas, Marcos Neia, Laercio Silva e Jeff Reimann  já é motivo de comemorar bastante. Espero que no ano que vem o nível seja ainda mais alto no Brasil e que tenhamos muito mais competidores. Mas as minhas dicas para o ano que vem são:

  • Transporte coisa nossa e fuja das tendências europeias. Regionalize seu coquetel.
  • Não use nada muito exótico, pois o juiz deve imaginar o sabor colocado na receita.
  • A apresentação do coquetel vai além do copo hoje. Use sua imaginação para a foto. Um coquetel somente é o mínimo que você deve fazer pra entrar no campeonato. Fazendo o mínimo, receberá o mínimo.
  • Cuidado com o número de ingredientes. Processos demais pode fazer o coquetel parecer chato, antes mesmo de fazer uma análise.
  • Na prova estude muito! Refaça-a três vezes se necessário. Uma alternativa pode lhe tirar da competição. Pense na marca na hora de criar ações ou métodos de venda. Lembre-se que um campeonato no final é uma poderosa estratégia de marketing para a marca.
  • No vídeo, fale sobre o coquetel, explique porque o usou e mostre sua cara como se estivesse atendendo ao cliente. Simpatia, sorriso, estilo e clareza contam muito nessa hora.

 

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