Muita pressão e técnica nas receitas vencedoras do Mestre do Gás da Preshh em Goiânia

O sistema Preshh vem mudando a forma como a coquetelaria brasileira entende gaseificação, extração aromática e textura. E essa linguagem ganhou protagonismo na etapa Goiânia do campeonato Preshh – O Mestre do Gás, reunindo bartenders da região Centro-Oeste no aclamado Zimbro Bar, em uma disputa onde criatividade sozinha não bastava. Era preciso técnica, domínio de processo e clareza de conceito.

Entre ciclos de carbonatação, infusões sob pressão e construções aromáticas milimetricamente pensadas, dois nomes subiram ao topo do pódio: Nattã Oliveira, de Goiás, e Lucas Ribeiro, de Anápolis. Dois estilos distintos. Um ponto em comum: entendimento profundo do que a pressão pode fazer dentro do copo.

Nattã Oliveira e a precisão tropical do Cora Collins

Com apenas quatro anos de atuação profissional, Nattã Oliveira já coleciona marcos importantes. Em 2025 foi reconhecido como um dos 50 melhores bartenders do país pela WorldClass Brasil e conquistou o pódio do Mestre do Gás na etapa Centro-Oeste  Nattã atua como consultor, estrutura operações, treina equipes e ainda mantém o projeto Bravatta, voltado à formação de jovens bartenders.

No campeonato, apresentou o Cora Collins, um highball de construção técnica precisa e leitura contemporânea de sabor.

A base começa com 50 ml de scotch whisky submetido a um  fatwash com óleo de coco. O processo é rigoroso: 200 ml de whisky combinados com 20 ml de óleo de coco, congelados por 36 horas a -10 °C e posteriormente filtrados em papel. O resultado é um destilado com textura sedosa e notas sutis de coco, sem excesso de gordura.

A estrutura líquida é complementada por 80 ml de água de coco reduzida (500 ml reduzidos à metade em fogo brando), que concentra açúcares naturais e amplia sensação de corpo. Soma-se 10 ml de sumo de limão para ajuste ácido.

O diferencial técnico aparece na carbonatação: três ciclos no sistema Preshh, garantindo integração fina do gás e textura cremosa. O serviço é em copo longo com bastante gelo, finalizado com um delicado fio de coco ralado fixado com pincelada de xarope.

O Cora Collins não é exuberante. É equilibrado. Tropical sem caricatura. Técnico sem perder fluidez.

Lucas Ribeiro e o tributo italiano do Gaspari

Se Nattã construiu um highball de precisão tropical, Lucas Ribeiro apresentou um coquetel de matriz clássica com intervenção técnica ousada. Batizado de Gaspari, o drink homenageia Gaspare Campari, nome central na história do aperitivo italiano e faz sentido: o amargor é protagonista.

A receita parte de 50 ml de Campari combinados com 80 ml de suco fresco de tangerina. O primeiro passo é um shake breve para promover leve diluição e integração.

Mas o coração do coquetel está no alongamento: um vermute artesanal de maracujá desenvolvido exclusivamente para a competição. Lucas executou a maceração das especiarias diretamente no vinho utilizando o sistema Preshh, aplicando pressão controlada para acelerar a extração aromática e preservar compostos voláteis.

Após a infusão, o líquido foi incorporado a uma compota de maracujá para intensificar estrutura sensorial e densidade. O processo foi finalizado com adição de brandy selecionado, criando um vermute autoral com camada aromática expandida.

Na montagem final, o coquetel recebeu o vermute previamente gaseificado no Preshh, trazendo textura vibrante e final longo.

O Gaspari é amargo, cítrico e estruturado. Um aperitivo com sotaque brasileiro e execução técnica cirúrgica.

Pressão como ferramenta criativa

A etapa Goiânia do Mestre do Gás deixou claro que a nova geração não está apenas replicando técnicas clásssicas mas está reinterpretando processos e criando o novo. Carbonatar deixou de ser apenas inserir gás. Passou a ser pensar em textura e em novas sensações.

Nattã e Lucas representaram demais  esse momento. Dois bartenders que entenderam o recado e se encontrarão com os outros semifinalistas das etapas São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Florianópolis em busca das vagas da grande final, que acontecerá em São Paulo no mês de junho.

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