Você pode chamar de Laranja Bahia, laranja-da-baia ou ainda laranja-de-umbigo. Mas também de Washington Navel Orange e Laranja do Algarve. Conheça a  história dessa tão importante laranja que utilizamos todos os dias nos bares.

O que não te prepararam para descobrir, é que este cítrico, citrus sinensis var. umbilicata, proceda da Ásia e não da Bahia, no nordeste brasileiro.

Da sua terra de origem, algumas variedades de cítricos chegaram ao norte do continente africano e migraram da região do Magrebe para o extremo sul da península ibérica, o Algarve em Portugal (onde ficou conhecida como Laranja do Algarve), e por consequência para a região de Andaluzia na Espanha.

Certamente, destes territórios os cítricos cruzaram os mares e chegaram ao Brasil, aclimatam-se perfeitamente e gerando daí o hibridismo, o que resulta em novas espécies, agora nativas e tropicais.

E é da família rutácea, que a laranja, e outras centena de variedades, entre elas limas, limões, tangerina, pomelos, cidras, kumquats (kinkan)se tornaram parte importante da alimentação humana nos últimos séculos.Laranja é uma palavra do árabe que deriva de nâranj,  e que tem raizes na palavra persa nārang, com origens no sânscrito e que significa a cor laranja, assim surgiu primeiro o nome da cor e depois o nome da fruta, ou seja, uma relação do nome deriva da sua característica visual da fruta.

Mas e a Laranja Bahia é realmente baiana ou não?

Com as grandes navegações no século XVI, Portugal desempenhou um papel importante na disseminação de culturas alimentares entre os continentes. É nesse contexto que a laranja chegou ao Brasil, trazida pelos colonizadores portugueses, para combater o escorbuto, uma doença comum entre os marinheiros da época, causada pela falta de vitamina C.

O Brasil foi um dos primeiros países da América a cultivar laranjas. A introdução ocorreu por volta de 1530, quando os portugueses trouxeram as primeiras mudas de árvores cítricas, incluindo a laranjeira.

Já a Laranja Bahia, também conhecida como “laranja-de-umbigo”, é uma mutação espontânea da Laranja Seleta que ocorreu há cerca de 200 anos no quilombo da Cabula ou em um convento franciscano em  Salvador, Bahia.

Sua característica mais marcante é o “umbigo” na extremidade oposta ao pedúnculo, uma marca visível de um fenômeno único: duas frutas coexistindo em uma única casca. Outra peculiaridade importante é a ausência de sementes, o que a impede de se reproduzir de forma natural.Apenas 12 árvores foram importadas para os EUA em 1870, das quais apenas duas sobreviveram para construir o império cítrico da Califórnia. Como a fruta era sem sementes, a única forma de reprodução era por enxertia, e os americanos propagaram a variedade extensivamente. E lá, ficou conhecida como Washington Navel Orange.

Estados Unidos (Califórnia), Espanha, Austrália e África do Sul são alguns dos países que experimentaram grande avanço na citricultura tendo a laranja ‘Bahia’ como um dos fatores de desenvolvimento.

Mas e porque uma pessoa que oculta bens para outro é chamada de laranja?

Dentre as diversas teorias sobre a criação do termo, uma das mais prováveis é que a expressão “laranja”, usada para designar quem oculta bens ou participa de fraudes usando seu nome por terceiros,  surgiu no Brasil, possivelmente entre gírias policiais no período da Ditadura Militar dos anos 70, relacionando o laranja à figura de alguém que é “espremido” (como a fruta) para assumir a culpa ou delatar o verdadeiro beneficiário de um negócio ilícito.

No contexto de interrogatórios, o “laranja” era o indivíduo que, após ser “espremido” pela polícia (como se espreme a fruta), delata quem está por trás do golpe. 

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