Qual é a linguagem universal dos bares? Saiba aqui na crônica de Maurício Duarte

O tema de uma linguagem universal paira sobre a humanidade desde a antiguidade. Desde o Gênesis bíblico, quando Deus decidiu causar um tumulto na Torre de Babel para que os homens não se entendessem em uma mesma língua e se espalhassem sobre a terra, é que buscamos um meio comum de nos comunicarmos. Muito tempo se passou até que, no fim do século 19, o médico judeu Ludwik Lejzer Zamenhof inventasse o Esperanto, no intuito de que este se tornasse um idioma compartilhado em todo o planeta.

Obviamente, tudo falhou. Nem os apelos de John Lennon em Imagine “Imagine there’s no countries” foram ouvidos e o mundo segue sendo uma miscelânea multicolorida de línguas. Há somente uma categoria de ser humano que flutua soberana acima dessas ninharias linguísticas, que dá de ombros para termos como signo, significado e significante, uma espécie que causaria espanto no pai da linguística moderna Ferdinand de Sausurre, um ser capaz de se comunicar para além do idioma: o bartender.Talvez com exceção de um cardápio do McDonald’s, nada consegue se comunicar com tanto sucesso, em qualquer parte do mundo, quanto um bom bartender postado atrás do balcão. Não importa se o cliente só fala mandarim e o bartender só entende húngaro, ele vai conseguir captar o desejo do outro. É uma espécie de intuição ou mediunidade compartilhada somente entre quem quer beber e quem fornece a bebida. Acredite, já estive nessa situação mais de uma vez para comprovar a tese.

Até mesmo os novos burgueses da coquetelaria, uma raça que prolifera e se reproduz como coelhos que tomaram viagra, aquele tipo de fulano que só toma Gin Tônica se for preparada pelo barman X em noites de lua cheia e com o alinhamento adequado dos planetas, ou que só bebe seu Old Fashioned se o gelo valer seu peso em ouro, pode se beneficiar disso. Porque esse sexto sentido é capaz de escavar até as profundezas da chatice e frescura etílicas para oferecer sempre o que é solicitado.

Portanto, meus caros companheiros de copo, minhas amigas de balcão, se um dia vocês se sentirem desorientados, perdidos num canto esquecido do mundo, procurem um bar. Acomodem-se e deixem que os poderes mágicos do bartender atuem sobre sua mente. Rapidamente surgirá uma sensação de acolhimento, um sentimento de pertencimento e o peito aquecido pelo sabor do álcool. Uma espécie de retorno ao útero, um sentimento de familiaridade. Sem palavras, sem fronteiras.

Receba nossa newsletter com os melhores artigos do universo da mixologia.

Obrigado por se inscrever!