Entenda as diferenças entre Mixologia Molecular e Mixologia Clássica.

Conversando com algumas pessoas sobre a Mixologia Molecular, percebi que há uma enorme confusão em relação ao termo que designa toda essa mudança que ocorre nos bares do mundo inteiro. É claro que quase tudo a que nos referimos é….molecular. O que não há de ser molecular nesse mundo, dizia Nicholas Kurt. Porém, o movimento utiliza esse termo para se referir à visão, ao pensamento e abordagem que é dada ao ato de cozinhar, ou de misturar ingredientes em um drinque.

Gostaria de propor à vocês uma análise à outros segmentos da sociedade para podermos nos apoiar na nomenclatura da Mixologia Molecular.

Abaixo, três exemplos distantes para que consigamos perceber que um movimento não é denominado exatamente pelas suas características principais, mas por comportamentos da política e da sociedade, referências metafóricas e até um acaso. Acompanhe.

Na literatura, o Condoreirismo, terceira geração romântica brasileiro, leva o nome do condor, ave de rapina, abutre, parente do urubu, cuja alimentação é baseada em carniça bovina. E são essas as características do movimento literário encabeçado por Castro Alves e o Navio Negreiro? Não. O Condoreirismo é marcado principalmente por idéias igualitárias e por temáticas sociais como a escravidão. O motivo deste nome foi apenas a visão de longa distância, de grande alcance que estas aves possuem.

Na música, a Música Barroca tem como referência o momento vivido por toda a Europa entre 1610 e 1750 não possui características em comum com a essência da palavra, já que o Barroco, advém do português matriz homônimo “pérola imperfeita” ou jóia falsa, referência à Contra Reforma religiosa. Temos nessa época gênios como Vivaldi, Schütz, Bach e Weiss. Para finalizar, na arte possuímos o Fovismo(Fauvismo), corrente artística do início do séc XX que nos apresentou artistas como Paul Gauguin, Paul Cézanne e Henry Matisse (quadro A Dança, ao lado).

Ah, o porque do nome Fovismo? A denominação deve-se ao crítico conservador Louis Vauxcelles, que no Salão de Outono de 1905, em Paris, comparou esses artistas à feras (fauves). É claro que a designação tinha inicialmente caráter depreciativo, mas acabou se fixando e deu nome à corrente tão apreciada atualmente. Ou seja, aos ferrenhos críticos da técnica, pensamento e mudança causada pela “Mixologia Molecular” pode ser definida assim, de acordo com o ponto de vista abordado: 1 – A análise química e física dos acontecimentos mixológicos e as suas devidas aplicações ao universo de bebidas. 2 – O termo aplicado ao processo de criação de coquetéis usando as técnicas e equipamentos e de gastronomia molecular. 3 – A combinação do “know how” dos mixologistas com o “know why” dos cientistas.

Na gastronomia, o movimento da Gastronomia Molecular teve início em Erice, Itália no ano de 1992, quando lá aconteceu o “International Workshops of Molecular and Physical Gastronomy”, onde estavam presentes Hervé This e Nicholas Kurt, precursores do movimento. Em pouco tempo o movimento da mixologia iniciou, nos pólos de Nova Iorque e Londres, a desenvolver técnicas e conceitos semelhantes porém aplicadas ao universo de bebidas.

De acordo com o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa Semântica (se-mân-ti-ca) S.f. “Do grego σημαντικός, derivado de sema, sinal”. Lingüística, ciência empírica que tem por objeto o estudo da relação dos signos com aquilo que eles significam, numa língua dada, i.e., estudo das palavras no que respeita a seus significados.” 

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